terça-feira, 10 de abril de 2012

VIA SACRA MORADORES DE RUA NA CRACOLÂNDIA

Neste ano vários movimentos estiveram presentes e nossa Fraternidade estava bem representada por nossos missionários amigos Ernandes, Elaine, Valdiria, Willy e Lena.
O artigo abaixo foi publicado por uma amiga nossa no "Fala Povo" e nos mandou.



POR: Ruth Alexandre de Paulo Mantoan < radioruth@globo.com >

VIA SACRA DO POVO DAS RUAS DE SÃO PAULO NA CRACOLÂNDIA


“Os corpos chegam em um caminhão baú, todos despidos, sem nenhuma identificação e são despejados juntos no mesmo buraco.” Testemunhou Lancellotti sobre enterro de"indigentes" na cidade de São Paulo
A Via Sacra do Povo das Ruas de São Paulo, este ano percorreu a Cracolândia. Foi feita memória da truculência com que são tratados, da falta de compromisso social. A forma com que Governo de São Paulo e Prefeitura trataram e tratam este drama social, a falta de políticas públicas que  tem feito aumentar o número de pessoas na cidade mais rica do país. O ato teve início por volta das 8h30 da manhã, desta Sexta-feira Santa, na Praça Princesa Isabel- Centro.
 Dados Oficiais indicam cerca de 14 mil pessoas em situação de rua na Capital Paulista, para a Irmã Regina Manoel esse número já bateu a casa dos 20mil. “Basta olhar pelas ruas para constatar. Só albergados são 9mil.”  Irmã Regina  classifica os albergues como uma política equivocada. “As repúblicas são muito mais eficazes. Os gastos com repúblicas são menores e permitem um passo mais efetivo para a autonomia”. As repúblicas são residências coletivas onde cada usuário precisa buscar uma renda mínima, comprar e fazer sua comida, arcar com a limpeza da casa. “Existem pessoas que estão há muito tempo nas ruas, precisam se readaptar aos empregos. É necessário passar por experiências de convivência.” Irmã Regina lembra também, que na contra mão a prefeitura de Kassab vem fechando as poucas repúblicas existentes. “Albergue só não adianta. É preciso implantar ações de autonomia”.  Irmã Regina também lembra os doentes mentais que foram parar nas ruas depois que os hospitais foram fechados. “O problema da saúde mental na rua é seriíssimo.
Existe hospital dia, mas como alguém que está na rua se organiza sozinho para procurar atendimento?” pergunta irmã Regina. “ Outro equívoco perigoso é pensar que quem está na rua é usuário de crack, e não podemos esquecer que a cracolândia foi produzida. Esta população foi sendo empurrada para cá.” Depois da operação que jogou bombas de gás na Cracolândia, o delegado Edison de Santi, declarou ao jornal o Estado de S.Paulo: "Creio que conseguimos quebrar a espinha do tráfico",
 As pessoas que acompanham o dia-a-dia naquele local discordam. “Não é passando com carro e moto por cima das pernas do povo da rua que vão dar conta do problema. Não é com bomba de gás, bala de borracha, carro de polícia tangendo os moradores”. afirma o padre Júlio Lancellotti. “Eles continuam aí espalhados pela cidade.”   Para Júlio Lancellotti  a operação militar contribuiu para aumentar ainda mais a violência contra morador de rua na medida em que criminalizaram todos.   “Quantos grandes traficantes foram presos nesta região? Nenhum.”   Pe.  Júlio também lembrou como tem sido importante o trabalho de Espíritas, Evangélicos e Católicos no acolhimento das pessoas em situação de rua.
 “Por uma paz que luta, que se movimenta e busca em Deus e na luta uma cidade melhor para todos”.  Pediu a Pastora Mabel da Igreja Batista. Participaram também o Padre Mauro e o Pastor Alcides da Igreja Metodista os religiosos da Toca de Assis e muitos outros.
 Durante o percurso a Via Sacra parou na Esquina da Alameda Dino Bueno onde ex- usuários de crack puderam contar suas histórias de luta com apoio das organizações, para abandonar o vício. As encenações  que foram encerradas na porta da Sala São Paulo, lembravam o drama de idosos, deficientes que moram nas ruas. Dos albergados que são humilhados por patrões e colegas de trabalho por sua condição de moradia.
“Aos 13 já trabalhava,Aos 16 já me drogava,
Aos 19 já tinha dois filhos
Hoje zombam de mim, os meus filhos.”

“Sou idoso, deficiente. Entro em um lugar pra comprar alguma coisa pra comer e não querem me vender”

“Moro no albergue, zombam, riem, funcionários, patrão, todos riem de mim, da minha condição.”

Júlio Lancellotti levantou uma questão bastante séria sobre a identidade das pessoas enterradas como indigentes na cidade de São Paulo.  De Paulo Maluf* até agora 130 mil corpos foram enterrados como de indigentes no cemitério D. Bosco em Perus.  Padre Júlio  assistiu a um desses sepultamentos. “Os corpos chegam em um caminhão baú, todos despidos, sem nenhuma identificação e são despejados juntos no mesmo buraco.” Testemunhou Lancellotti. 

"Pai Celeste!
Como escutas o pedido
do pão de cada dia
da parte dos que temos
pão garantido
para o ano todo
e até para toda
a vida?


Como escutas o pedido
do pão de cada dia
da parte dos que, tantas vezes,
veem o dia acabar,
sem que chegue o pão?

O grave é que
se temos pão
para o mês inteiro,
para o ano todo,
ou para toda a vida,
é porque direta
ou indiretamente
tiramos o pão de cada dia
da boca de muita gente!

Pai, que a ninguém falte
o pão de cada dia!
Amém!"

Dom Hélder Câmara

*O Cemitério Municipal Dom Bosco, localizado no Distrito de Perus, São Paulo, foi parte integrante do sistema de repressão no país. Foi construído pela Prefeitura da Capital em 1970,.na gestão do sr. Paulo Maluf, e logo na sua inauguração transformado em cemitério exclusivo para corpos de indigentes, entre os quais passaram a ser enviados cadáveres de vítimas do regime. Dossiê

FORMAÇÃO - EMAÚS PASSO A PASSO - FINAL



Um lugar de peregrinação

   No período bizantino, Emaús - Nicópolis se transforma numa importante sede episcopal. Duas basílicas são construídas aqui entre os séculos IV e V, no lugar do encontro de Jesus com os seus discípulos. Destruído pelas invasões persa e árabe no século VII d.C., o santuário de Emaús será reconstruído pelos cruzados no século XII. 
   Infelizmente, com a partida dos cruzados, o santuário fica abandonado e a presença cristã desaparece de Emaús. É somente em 1878 que, seguindo a iniciativa da Beata Mariam de Belém, as irmãs carmelitas adquirem o terreno e as peregrinações a este lugar recomeçam de novo.
    As escavações arqueológicas que se realizaram em 1880, em 1924, e as que se realizam atualmente, tem descoberto as ruínas de duas imponentes basílicas bizantinas com belos mosaicos e o batistério, bem como as ruínas da capela dos cruzados.
     Você é convidado também a visitar o prédio que está sobre a colina, construído nos anos 1930 pelos Padres de Betharram, aonde se encontra o museu que contém os mais belos mosaicos do sítio arqueológico, e também a capela da Comunidade das Beatitudes, que reside neste lugar desde 1993.

Sítio Arqueológico.
1. Basílica bizantina (séculos V-VII), que foi reconstruída menor pelos Cruzados (século XII).
2. Inscrição grega.
3. Abside sul com capela de relicário.
4. Capela baptismal (séculos V-VI).
5. Ruínas da Basílica Norte (séculos V-VI).
6. Amostras de mosaicos (século V).
7. Pedreira antiga.
8. Zona de sepulturas antigas.
9. Amostras de mosaicos (século V).
10. Casa do Bispo de Nicópolis. 


A Comunidade das Beatitudes

A partir de 1993, a Igreja confiou à Comunidade das Beatitudes a animação espiritual e a guarda deste lugar. A Comunidade das Beatitudes é uma comunidade católica de origem francesa, fundada em 1973 por Efraim Croissant, e ela nasceu do movimento da Renovação Carismática. 
É uma comunidade de homens e mulheres, composta por leigos e sacerdotes, famílias, pessoas solteiras e consagrados. O nome da Comunidade provem das Palavras de Jesus no Sermão da Montanha : “Bem-aventurados os pobres em espírito...”. A presença da Comunidade em Israel quer contribuir à reconciliação e ao conhecimento mútuo entre cristãos e judeus por meio do estudo e da oração. 
A Comunidade acolhe a todas as pessoas que desejam visitar e orar neste lugar. 
www.beatitudes.org

(Pe. Valdiran dos Santos)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

FELIZ PÁSCOA!!!



“Ressuscitei e estou com você…“porque meu amor é para sempre” (cf. Sl 136).
Estas não são simples palavras…são gestos concretos da Páscoa de Jesus.
Tudo lhe aconteceu nesta terra: Perseguições, sofrimentos, morte.
Mas nele venceu a fidelidade, o amor, a vida.
Sim, a Vida teve a última palavra.
Com sua ressurreição, Jesus nos fez
Renascer como “povo da Páscoa”.
Povo que assume a causa pela qual ele
Veio a este mundo: “Que todos tenham vida…”:
Àqueles que buscam paz, dignidade humana,
Liberdade, saúde, solidariedade, amor.
É Páscoa: tempo de esperança e ação.
Tempo para começar uma vida nova,
Na certeza de que, nas mãos de Deus,
Até a morte pode transformar-se em vida.
Depois da ressurreição, a cruz tornou-se
Testemunho de amor, sinal de esperança.
É o poder de Deus que se manifesta
Na humildade e no serviço dos que crêem.
Que a luz do Ressuscitado ilumine seu caminho
E lhe dê forças para prosseguir.
Com certeza, todas as noites escuras
Acabam tendo sua aurora.
Que a Páscoa aconteça em sua vida!
Creia e alegre-se: ela já está acontecendo.”
Para aproveitar e enviar a pessoas queridas em forma lembrar carinhosamente deste data que é muito especial,
para milhares de religiosos em todo o mundo.
(fonte: Blog Brasil)

UMA SANTA E FELIZ PÁSCOA!!!

domingo, 25 de março de 2012

FORMAÇÃO - EMAÚS PASSO A PASSO - PARTE VI



(...continuação)


Emaús Nicópolis   اللغة العربية     עברית  
O lugar aonde Jesus partiu o pão.

  Situada no cruzamento das rotas de acesso a Jerusalém, e das rotas que ligam o norte e o sul, sobre o solo fértil da planície de Séfela, a cidade de Emaús foi qualificada na Antiguidade como “lugar de águas deliciosas e de estância agradável”. O nome de Emaús provém da palavra hebraica  “Hamot”, que significa “fonte ou águas quentes”. No século III d.C., a cidade recebe um novo nome e se chama Nicópolis, que em grego significa “a Cidade da Vitória”.

História Antiga

 A história de Emaús é muito rica, e está marcada pela passagem de numerosos conquistadores e personagens ilustres. 
Na Bíblia, o livro de Josué explica como o sol e a lua se pararam sobre o vale vizinho de Aialom, enquanto que Israel lutava contra os seus inimigos. 
Em 165 a.C., Judas Macabeu obteve aqui uma vitória importante contra as tropas gregas de Nicanor, abrindo assim o caminho a Jerusalém e permitindo aos judeus a purificação do Templo e a restauração do culto divino, acontecimento que se comemora a cada ano na festa judaica de “Hanuca”. 
Lá pelo ano 30 d.C., a cidade de Emaús, destruída pela invasão romana, se converte num vilarejo pequeno, e é o lugar do encontro de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, que o reconhecem no momento em que ele parte o pão. 
A Páscoa de Jesus Cristo, como um sol, se levanta sobre o curso da História, transformando a humanidade pelo Mistério Eucarístico. No século III a cidade foi reconstruída pelos romanos e uma grande comunidade cristã surgiu aqui.

O Evangelho segundo São Lucas 24,13-35:

 E eis que, no mesmo dia, iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém cento e sessenta estádios, cujo nome era Emaús; E iam falando entre si, de tudo aquilo que havia sucedido. E aconteceu que, indo eles, falando entre si e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles: Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem. E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes ? E, respondendo um, cujo nome era Cleófas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias? E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus o nazareno, que foi varão profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo: E como os principais dos  sacerdotes, e os nossos príncipes, o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram. E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. 
É verdade que, também, algumas mulheres, de entre nós, nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; e, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive: E, alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim, como as mulheres haviam dito; porém a ele não o viram. E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas, e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe. E eles o constrangeram, dizendo : Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes. E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? E na mesma hora,  levantando-se, tornaram  para  Jerusalém, e acharam congregados os onze e os que  estavam com eles; Os quais  diziam: Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão. E eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como deles foi  conhecido no partir do pão. 

Pe. Valdiran Santos

(continua...)

sexta-feira, 23 de março de 2012

VÍGILIA PASCAL

 



NO DIA 31 DE MARÇO DE 2012 (SÁBADO), A PARTIR DAS 22:00
ACONTECERÁ  NA PARÓQUIA SANTA TEREZINHA, SITO EM RUA JORGE PALMIRO MERCADO, Nº 143 - VILA TEREZINHA, A  VIGÍLIA PASCAL DE NOSSA FRATERNIDADE.
CONVIDAMOS TODOS A PARTICIPAREM CONOSCO NESTE MOMENTO ABENÇOADO, DA ESPERA EM QUE JESUS É RECEBIDO COMO REI, NO DOMINGO DE RAMOS.
E INICIARMOS A SEMANA SANTA!

segunda-feira, 19 de março de 2012

FORMAÇÃO - EMAÚS PASSO A PASSO - PARTE V

 
(...continuação)


PASSAGENS DE EMAÚS, PASSAGENS TAMBÉM NOSSAS

24- Acabamos de ver, de maneira simples e resumida, como o episódio dos discípulos de Emaús constitui sábia pedagogia no processo da formação cristã, em todas as suas dimensões. Vamos agora ver como podemos nos situar no mesmo itinerário, já conscientes de que a passagem e caminhada de Jesus com os discípulos também se renova em cada um de nós, principalmente na dimensão comunitária, ou seja, no viver consciente da fé em comunidade.

25- Reforçando, pois, o tema da vida em comunidade, lembremo-nos de que dois são os discípulos de Emaús, como Onze (os Apóstolos) são os que recebem em Jerusalém a notícia da ressurreição, além de outros discípulos. Somente em situações especiais, é que o evangelho costuma particularizar um fato. Tal se dá, por exemplo, com a aparição a Maria Madalena, mas também ela não guarda para si a alegria do acontecimento e vai anunciá-lo aos discípulos (cf. Mc 16,9-10; Jo 20,11). Diante do acontecimento de Emaús, e de suas conotações comunitárias, devemos também nós passar:
Do afastamento - para a aproximação
Da partida - para o retorno
Do isolamento e da solidão - para a comunhão
Do fechamento - para a abertura
Da cegueira - para a iluminação
Do lamento - para o agradecimento
Da tristeza - para a alegria
Do não reconhecimento - para o reconhecimento
Da lentidão - para a prontidão
Do vazio do coração - para o ardor do Espírito
Da escuridão - para a luz
Do refúgio e da acomodação - para a missão apostólica


26- Como conclusão, também nós, após encontrar e reconhecer o Senhor em nossas vidas, devemos voltar para os irmãos, não cabisbaixos, tristes e sombrios, mas alegres e esperançosos. Devemos aprender com Jesus: a aproximação, o colocar-se ao lado dos caminhantes sofridos, sem esperança e frustrados; o ouvir, em primeiro lugar, as suas queixas; o respeito para com os seus limites e suas precariedades, como também o reconhecimento de suas qualidades e virtudes. Com o Senhor devemos ainda aprender a falar, na hora certa, o essencial, a valorizar os pequenos gestos e a dar graças pelo pão partilhado.

27- Com os seguidores de Jesus devemos aprender também, como é o caso dos discípulos de Emaús. Eles nos ensinam: a aceitar o outro, mesmo estrangeiro, em nossa caminhada, evitando assim o nosso elitismo ou nossas panelinhas; a ouvi-lo, mesmo que aquilo que ele tem a dizer não tem importância objetiva para a nossa vida; a elogiá-lo, quando suas palavras fazem arder também o nosso coração; a não censurá-lo, quando seus questionamentos de nossas atitudes e de nossa formação não param em simples questionamentos, mas nos orientam para a nossa verdadeira posição no corpo da Igreja e da família humana.

28- Vejam como tantos são, pois, os ensinamentos de uma simples passagem bíblica! Oxalá não substituamos nós a Bíblia Sagrada, este profundo manancial da salvação de nosso Deus (cf. Is 12,3) pelas cisternas secas dos homens (cf. Jr 14,3), abertas em corações vazios de amor. ( João de Araújo)


Pe. Valdiran dos Santos

(continua...)

segunda-feira, 12 de março de 2012

FORMAÇÃO - EMAÚS PASSO A PASSO - PARTE IV










(continuação)


5º PASSO (Lc 24,33-35)

20- O primeiro elemento fundamental deste passo é o inverso do que aconteceu no início. Lá os discípulos, tristes, sem esperança, frustrados e sombrios, deixam Jerusalém e vão a caminho da aldeia de Emaús. Aqui, alegres, felizes, com a certeza cristã da ressurreição do Senhor, eles voltam para Jerusalém. E caminhar para Jerusalém é uma forte expressão simbólica de Lucas: significa querer assumir os passos decisivos do sacrifício, como os de Jesus. 

21- Podemos dizer que o verbo mais importante aqui é anunciar, e anunciar a ressurreição, a essência do Evangelho, como fez, antes, Maria Madalena (cf. Jo 20,18). Notemos que os discípulos não olham para o que é desfavorável à sua atitude, como o fato, por exemplo, de já ser noite, e os perigos naquele caminho serem notórios. Aqui se abre, pois, para nós o horizonte da missão. E quando se trata, como vemos, das maravilhas de Deus, há pressa nas iniciativas do missionário, pois é preciso anunciar tais maravilhas. Foi assim também com Maria, na visitação a Isabel, como nos narra o mesmo Lucas, no início de seu evangelho: "... Maria partiu  apressadamente..." (cf. Lc 1,39).


22- Outro dado também significativo, é que a notícia é dada, inicialmente, aos irmãos na fé, os apóstolos, que se encontravam reunidos em Jerusalém, depois, naturalmente, numa manifestação jubilosa, que confirmava, misteriosamente, a primazia de Pedro, no tocante à própria aparição do ressuscitado. Por isso, Lucas põe na boca dos outros discípulos, reunidos em Jerusalém,  a expressão: "É verdade! O Senhor ressurgiu e apareceu a Simão!" (cf, 24-34). Em seguida, os dois discípulos narram os acontecimentos daquela tarde e daquela noite e como haviam reconhecido o Ressuscitado na fração do pão.

23- Notemos que, tomando o termo técnico da fração do pão, como também em At 2,42, Lucas deve ter pensado na Eucaristia, como já se falou neste trabalho. Também podemos afirmar que a invisibilidade de Cristo nas espécies eucarísticas, como se dá no culto cristão da missa, pode-se antever no final do versículo trinta e um da perícope de Lucas aqui comentada: "...Ele, porém, desapareceu da vista deles".  Seria uma mera coincidência, sem forte sentido litúrgico? Parece-nos que é mais correto dizer que se trata de verdadeira ligação, em sentido bíblico.

Pe. Valdiran Santos 

(continua)